sábado, 9 de maio de 2009

Algumas músicas fazem minha imaginação ir a mil...
O texto abaixo deve-se ser lido de modo bem devagar no começo e depois mais rápido enquanto se escuta Marisa Monte cantando 'Dança da Solidão'.

"Noite... Perfume... Que ar agradável... Da janela eu posso ver a lua nascendo.

Naquela noite a lua brilhava cheia. Eu estava no salão quando escutei aquela voz... que doce; um som de violão e algumas pessoas dançaram como se não houvesse outra noite mais enquanto outras seguiam o compasso da música com a cabeça ou os dedos. Ela estava com um vestido longo vermelho, com seus lindos olhos pretos. Como ela domina esse palco. Como domina...
Que melancolia que vem dessa sanfona, como ela me toca.

Mulheres viúvas, apaixonadas, suicídas e sós; dançando como se não houvesse amanhã.
Sinto-me só com as palavras que me arrastam a dançar, o salão parece só conter a mim e a ela, que canta. Desilusão... Desilusão, não me concentro mais em nada. A madrugada chegara e meu pensamento ia a mil quase separado do meu corpo que não parece ligar mais para nada. "Como essas pessoas (que estão sentadas) conseguem se controlar?" - pensava eu. Os pés desciam em um arpejo em Bm7(b5), executando um passo inequívoco, todos sabiam onde deveriam estar. E lá estavam. Ninguém errava a dança, ninguém se batia, todos sós, cada um dançando a seu modo."

domingo, 12 de abril de 2009

Quais são as cores do mundo?


Uma vez me disseram que a vida deveria ser como o mar. Aquele mar que tem suas marés... Altas e baixas, marés mortas, calmarias e tempestades, ressaca ou somente ondas. De vez em quando conseguimos ver a areia, as vezes não. Lá, podemos ver barcos, sentir o sabor da água, e seus pingos; podemos mais, inclusive escutar tudo o que conseguimos e o que não, damos um jeito.

Ótima analogia. Ótima analogia de uma pessoa que naquela noite de lua cheia me disse tudo. Com o tempo chegou a aurora, resplandescente. A noite foi terminando e com ela o encontro com meu (quase) futuro amigo. Infelizmente não o vejo mais.

Na verdade sua analogia estava pronta, sempre esteve diante de nós... Ela serve com o céu, com os rios, com as montanhas e floresta, como também com aquilo que dizemos: "menores", como pedras, folhas, areias...

Ah... Se soubéssemos que a vida está em tudo...
Tudo é vivo, mas simplesmente dizemos que não porque achamos que as coisas não vivem como nós...

Temos as mesmas cores que o mundo e os mesmos sons do mundo.


A propósito, na última frase fiz referência tanto a "La moulade" (quadro abaixo (Matisse)) quando a "Die Hebriden" música que Mendelssohn compôs quando visitava as "Hebridas" (imagem do topo). Quem escuta a música se sente no lugar... Sinceramente. (Quem quiser eu mando por e-mail).

sábado, 4 de abril de 2009

Grandes e Sonhos.

Que são essas coisas que chamamos de sonhos, aspirações? Realmente, são grandes, talvez não a princípio, mas aqueles pequenos sentimentos e vontades que perduram apesar de "correr" muito tempo podem ser considerados persistentes (grandes, por isso)...

A música. Grande música. Grande sonho que eu realizo todas as vezes que posso, sonho tal que sua fronteira é tão vasta que a cada dia, um pequeno e novo detalhe se faz perceber.

As vezes, para não usar 'sempre', temos de deixar alguns deles de lado. Queria mudar isso.

É muito fácil constatar.
É muito fácil não fazer nada.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Tempos de criança?

Houve alguém que já disse: O tempo dá voltas...

Reviver o passado é inevitável. É impossível não lembrar de como as coisas eram, ou do que gostávamos de fazer, das pessoas cujo nosso tempo era compartilhado... Tudo isso ficou; ficou no passado, ficou no presente.
Há, também, aquelas coisas que nunca pensaríamos fazer depois de "velho"... "Ahh, quando eu crescer [...] isso, aquilo..." Tudo muito bom quando não se tem realmente nenhuma responsabilidade.
Hoje tenho de fazer coisas. Alguém já disse "Agente espera do mundo e o mundo espera de nós". Tenho muito menos tempo do que achava que tinha ontem e mesmo nesse pouco intervalo de tempo, nessa curta hora eu (re)descobrí algo que achei ter morrido na infância. Parece que um certo amigo meu estava imaginando as coisas que eu gostaria de fazer mas não tive como, quando me indicou 'Watchman' para eu ler... Depois veio Sandman, V for Vendetta, Tempos de guerra, entre outros. E com eles, como se não bastasse, veio aqueles animes que sempre tive vontade de ver por completo, mas as coisas que eu tinha de fazer não me deixavam...
Claro que esses quadrinhos e esses animes têm contextos diferentes e atuam em mim de modo diferente (diferente de He-man ou Pokémon por exemplo). Não quero diminuir nenhum tipo de obra, mas aquela que se apresenta para você no momento certo sempre é a melhor...

Isso para não dizer Murnau, Lang, Wiene, Godard, Truffaut...

Procurem (re)descobrir o mundo; tantas coisas boas se escondem por ai...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Minhas escrituras.

"A vida inteira que podia ter sido e que não foi."
Excerto do poema Pneumotórax de Manuel Bandeira.

Realmente há um exagero quanto a utilização do excerto, mas de qualquer forma pode acabar representando bem o que quero. Eu escrevo. Quem não escreve? Eu escrevo histórias, só que eu infelizmente tenho o dom de não conseguir terminá-las. Tenho incontáveis idéias escritas em um pequeno bloco de notas chamado "Diretrizes Gerais". Nele eu anoto todas as "boas idéias" que surgem na minha cabeça. Já perdí a conta de quantas há lá, mas o fato é que nenhuma é trabalhada.

Lembro-me daquela vez enquanto escutava Berlioz... Ah, que idéia. Ou então daquela outra enquanto lia um livro que usava expressões em francês, mas o que eu não entendí da frase me deu uma grande idéia.

Será que acaba acontecendo um "Mais estranho que a ficção" às avessas? Será que minhas personágens lutam incessantemente contra meu dom de deixar as coisas inacabadas para tentar viver em paz em algumas linhas e páginas? Ei... Isso será anotado.

Enquanto isso eu vou anotando algumas idéias novas; escrevendo, na realidade, nenhuma...

Não façam como eu.